Software open source é o melhor para Portugal, afirma especialista

O presidente da Associação de Empresas Open Source Portuguesas, Gustavo Homem, justifica a utilização de softwares open sources no atual cenário econômico português. A fala do presidente da ESOP me lembrou muito a fala do ex-presidente Lula no FISL 10, onde este falava que a opção pelo, naquele caso, software livre atendia também a uma necessidade de soberania, incentivando a compra pelo governo de softwares com “sabor” brasileiro, e não de “enlatados” gringos.

Além da questão da liberdade e da abertura dos códigos, o que promove maior segurança, a adoção de softwares de códigos abertos promovem a economia local e, ao mesmo tempo, incentivam um “mundialização” do conhecimento, uma vez que são compartilhados os conhecimentos adquiridos na construção de tais softwares é compartilhado mundialmente entre os desenvolvedores.

Fiquem com a entrevista concedida ao iGOV pelo especialista português:

Software Open Source pode ter papel importante no actual contexto económico

Por Antónia Marques

Uma maior opção por software ope source poderá ser uma forma de reduzir custos na Administração Pública (AP). Esta é a convicção de Gustavo Homem, Presidente da Associação de Empresas de Software Open Source Portuguesas (ESOP). Em entrevista ao iGOV, Gustavo Homem falou ainda do impacto mais vasto desta opção na economia portuguesa.

Qual a importância que o recurso ao software open source pode ter para a Administração Pública (AP) no actual contexto económico-financeiro?

Na nossa opinião o open source tem importância em várias vertentes. Por um lado a questão da redução de custos, e o impacto na balança comercial, que tem tudo a ver com aquilo de que se fala muito agora, a substituição de importações, através da criação de novos produtos inovadores com uma incorporação maior de valor nacional, levando a que o próprio consumo do Estado seja feito com um maior recurso à economia interna.

Por outro lado temos o facto de haver software open source nacional ser, neste momento, de muito boa qualidade.

E o software open source é o mais adequado em todas as soluções?

Não digo que seja a solução indicada para 100 por cento dos casos, nem se calhar para 90 por cento. Mas para um grande número de cenários é de facto a solução indicada, tanto na relação custo/benefício, como pela boa qualidade que neste momento já tem.

Então porque não é o software livre a escolha na maior parte dos casos?

Penso que estamos a ir nesse caminho. A questão é que as condições iniciais de que nós partimos são as condições de predominância, do quase monopólio, de alguns produtos fechados. No entanto, por um lado creio que a situação financeira em que o país está justifica que tenhamos redobrada atenção para esta problemática e por outro lado temos indicadores de que as coisas estão de facto a evoluir nesse sentido. Se olharmos para as estatísticas internas da ESOP vemos que crescemos 100 por cento desde o momento inicial de lançamento. De facto, creio que há alguma evolução mas essa evolução deve ser muito mais rápida.

E não faz sentido estar a aumentar os impostos sobre os cidadãos, a cortar os ordenados dos funcionários públicos para depois as compras públicas não serem mais criteriosas no que se refere ao custo/benefício. E neste ponto (custo/benefício) o open source é muito forte.

As empresas portuguesas de software open source têm capacidade de resposta se para tal forem chamadas?

Não está apenas em causa a existência, digamos, abstracta de software open source que pode ou não ser aplicado em diferentes cenários, mas também a existência de serviços profissionais. Este software é, efectivamente, fornecido por empresa credíveis, que dão garantias da boa implementação do produto. E é aqui que se pode ligar ao impacto na balança comercial, ou seja, quando ao invés de se fazem importações estamos a contratar directamente na economia local, que consequentemente leva à criação de emprego. E neste caso estamos a falar na criação de emprego qualificado.

Como se traduz em emprego actualmente o sector das empresas portuguesas de open source?

As 25 empresas do universo da ESOP representam, neste momento, mais de 600 trabalhadores, que prestam serviços profissionais deste género. E neste momento temos as condições reunidas porque há, de facto, capacidade instalada para prestar estes serviços, que se calhar há uns anos não existia, ou não existia da mesma maneira. E dada a actual situação económica temos que levar esta questão a sério.

E em relação à nova legislação das normas abertas. Acha que finalmente se vai no bom caminho?

As normas abertas são um problema digamos ortogonal ao do open source. Porque as normas abertas são, no fundo, um mecanismo essencial para haver concorrência no mercado. Se houver normas abertas os formatos e os protocolos passam a ser conhecidos e diferentes produtos de diferentes naturezas podem competir utilizando essas linguagens comuns que ficam definidas. É importante salientar que as normas abertas podem ser usadas por qualquer tipo de software, seja software open source, seja software proprietário, seja de grandes empresas, seja de Pequenas e Médias Empresas nacionais.

E sobre a legislação em concreto…

Penso que se está a fazer uma legislação que conseguiu reunir o consenso, que envolveu várias instituições, e que finalmente está próxima de ter resultados. Creio que a intenção de todos é que a legislação seja efectivamente aplicada. Não vejo razões para esperar o contrário.