A liberdade na Internet ameaçada

Vou repetir: é legítima a resposta do Brasil ao ataque à nossa soberania promovida pelos estadunidenses. Na verdade, estamos claramente em estado de guerra informacional com eles, já que os mesmos não pretendem cessar as quebras de privacidade de autoridades e cidadãos brasileiros.
Medidas no campo diplomático devem ser tomadas, mas, até pelas falas das autoridades estadunidenses, serão pouco eficazes.Medidas no campo tecnológico, investindo em tecnologia aberta, tanto em software quanto em hardware, nacional se faz mais do que necessário. Temos que barrar os ataques e proteger o maior número de autoridades e cidadãos possível, como manda nossa Constituição.

Agora, no campo das discussões políticas e das leis a resposta me preocupa. Não que elas não devam existir e leis, como o Marco Civil com o texto original, vêm no sentido de proteger a privacidade dos cidadãos. Mas a comoção causada principalmente pela reportagem da Globo e o subto interesse de alguns políticos subjulgados por lobbies dos mais diversos por produzir novas leis ou modificar as em tramitação para nos “proteger” me parece uma armadilha para acabar com a liberdade na Internet.

Temos pelo menos dois motivos para desconfiar: por um lado, os políticos de forma geral estão incomodados com as novas formas de protesto e participação propriciadas pela Internet. É de total interesse desses criar mecanismos para barrar esta novidade e manter o sistema como está, o que lhes traz vantagens. Por outro o próprio interesse da globo em publicar a matéria revela que devemos ficar alertas. A globo tem muito interesse no controle da internet, seja por que alguns de seus atores “nativos” as prejudica nos negócios, seja porque a Internet traz novas formas de comunicação que permitem a desconstrução da imagem da globo e da midiaZona de forma geral.

É bom atenção, portanto, com as diversas medidas que estão sendo tomadas pelos três poderes sobre o tema. Não podemos deixar que nossa soberania seja atacada e que nossa privacidade seja violada, seja por agentes externos ou internos. Mas, por outro lado, não podemos permitir que este se constitua no “momento hobbesiano” (apud Sérgio Amadeu) para que se possa, em nome de nos proteger, aprovar leis que, no final das contas, acabe com a Rede como a conhecemos.