A quebra da privacidade não resulta em mais segurança

Quem acredita que a quebra da privacidade é fator essencial para a segurança costume estar, no mínimo, equivocado. Me espanta a quantidade de estadunidenses que caem no conto de seu governo e aceitam abrir mão de sua privacidade em nome da segurança do seu país.

É ser míope não ver que os programas de espionagem são falhos ou são seletivos em relação as ameaças. Como explicar que, mesmo com tanto investimento e com a devassa indiscriminada de cidadãos do mundo inteiro, os serviços de inteligência estadunidenses não conseguiram, por exemplo, evitar o Atentado de Boston?

Ou os órgãos de segurança – cada vez receptores de mais dinheiro e mais poder depois do 11 de Setembro – falharam mesmo espionando indiscriminadamente, não conseguindo identificar a ameaça, o que já seria um motivo para o povo dos EEUU diminuírem suas apostas nesse tipo de tratamento do tema, ou, o que seria pior, esses órgãos sabiam da ameaça mas a trataram de forma seletiva, deixando passar.

A vantagem que os órgãos de segurança tirariam disso é que assim, com o atentado, elas poderiam justificar os investimentos e a abertura de mão da privacidade dos cidadãos.

Enfim, a delegação de super poderes a órgãos de espionagem não resolve o problema da segurança, ainda mais quando não há transparência na ação de tais órgãos.

Cabe aos cidadãos estadunidenses identificar que este não é o caminho para a sua segurança e não aceitar a quebra dos direitos civis de cidadãos do seu e de outros países.

Dessa formas poderemos estar do mesmo lado.