As máscaras

A Internet e a rua. Há, nas duas, uma obsessão repentina do Estado pelas máscaras. No Brasil, a criminalização das dos manifestantes. Sem entrar aqui no mérito sobre práticas ou ideologias deste ou daquele grupo de mascarados, o fato é que o Estado agride ao não permitir o uso de tal instrumento de proteção contra a vigilância e violência do próprio Estado. Já, num contexto internacional, as máscaras digitais que protegem nossa privacidade são retiradas com força bruta pela violência do Império. As informações que nos chegam dão conta de que a cripitografia, uma das responsáveis pela nossa (pouca) liberdade na Rede, foi quebrada pelos órgãos de vigilância. Isso pode significar o fim da Internet como a conhecemos. A ironia é que o Brasil, como Estado, está no centro do uso da violência contra os mascarados: numa das faces da moeda como algoz, noutra como uma das principais vítimas.