MEGA NÃO! ao AI-5 Digital – #meganao

No dia 08/05 (sexta-feira) vamos dar um MEGA NÃO! ao Projeto Azeredo que pretende instituir o vigilantismo na WEB aqui no Brasil.

A nossa proposta é que todos os blogs e sites que quiserem aderir ao protesto passem 24h sem atualizar suas postagens. O “congelamento” dos blogs é uma alusão ao que acontecerá se o Projeto Azeredo for aprovado. Pois a WEB, até agora livre, passará a ser um lugar onde a manifestação de idéias e o fluxo de informações estarão “congelados”.

Haverá um importante Ato, na ALESP, no próximo dia 14/05. Por isso, pedimos que a última postagem antes do “congelamento” dos blogs seja a do cartaz disponível no final deste post.

Pedimos para quem aderir a proposta que siga o @mega_nao no Twitter e envie o link de sua postagem do cartaz para que possamos fazer as indicações dos twitteros ciberativistas nesta sexta-feira (dia 8), que também é  #followfriday.

Para acompanhar o congelamento dos blogs no Twitter e para informações sorbre o Ato contra o AI-5 Digital, siga as tags #meganao , #AI5digital e #AI5digitalnao no Twitter Search .

Espalhe essa idéia!!! Vamos dizer um MEGA NÃO! ao AI-5 Digital!!!

Ato contra o AI-5 Digital

São Paulo na contramão do Brasil

São Paulo na contramão do Brasil.

É inegável que o PT, principalmente o PT paulista, cometeu erros e afastou uma parcela significativa da sua militância. Os simpatizantes do PT em todo o Brasil se sentiram órfãos de um partido que pregava a ética na política e, com os estouros dos escândalos, parecia que não tinha mais a quem recorrer. Mas existe alguma coisa acontecendo que leva um presidente, depois de ser tão atacado por forças conservadoras, a ser levantado nos ombros do povo e reeleito com uma margem muito significativa.

Talvez este fenômeno, verificado também em outros países da América Latina, seja o motivo da aclamação popular do Lula nestas eleições. O fenômeno é que as classes colocadas à margem da sociedade parecem ter mais voz neste governo. Setores da população considerados pelas elites como massa de manobra, ou que acompanhavam a classe média no chamado “fenômeno da pedra no lago”, parece agora ter mais voz. Alem disso, essa voz, esta aclamação popular, parece ressoar nos ouvidos do poder como, alias, não se via há muito tempo neste País.

O resultado disto é um panorama eleitoral inédito na história do Brasil. As regiões colocadas na periferia durante décadas, torna-se grande expressão das mudanças exigidas pela sociedade brasileira. O Nordeste e o Norte do país se colocam ao lado do candidato que, com seu governo, os dá voz e vez. Setores do Sul e Sudeste, sempre prestigiados anteriormente, se tornando o centro promissor de um País de profundas desigualdades, reclamam de não estarem sendo privilegiados.

Ora, não adianta, nos países da América Latina, utilizar as velhas idéias importadas como se havia fazendo há muito tempo. Estamos num Continente marcado pela profunda desigualdade social e econômica. Este fenômeno parece ser propiciado pela luta dos organismos sociais destes países. A participação das classes populares no debate democrático parece ser fortalecida por estes movimentos. Parece chegada a hora das classes populares terem, por sua vontade e luta, a plenitude dos direitos civis conquistados sem muita luta e colocados no momento como uma dádiva das elites que “presentearam” o povo com estes direito, como se o não atrelamento das classes populares com suas idéias fosse uma ingratidão, uma vez que os direitos foram “dados”.

São Paulo, o maior estado, economicamente falando, da nação, parece não entender o que está acontecendo. É praticamente o único estado onde o modelo tradicional de desenvolvimento, atrelado a idéias “importadas”, parece seduzir a população. Talvez este estado, o mais beneficiado por estas medidas neoliberais pouco eficientes para o conjunto da população, seja o que teve também um maior atrelamento entre as classes populares, os setores médios e as elites “dadivosas”. Parece que aqui, também contando com as trapalhadas do PT paulista, foi conseguida uma maior desmobilização popular, coisa tão importante na ótica das políticas neoliberais.

Parece que o povo deste Estado não sofre um impacto direto da maquina privatizadora dos setores neoliberais. Não está muito claro, pelo menos para mim, como isto acontece, mas a classe média prefere pagar pedágios astronômicos para exercer seu direito de ir e vir em uma estrada “bonitinha” do que lutar por seus direitos. Parece também que as classes populares ainda são afetas pelos efeitos da “pedra no lago”. E as elites, não tendo atendidas suas reivindicações para lucros e acumulação de capital cada vez maiores, esperneiam só de ver o Governo colocando mais dinheiro em programas sociais do que naqueles que propiciariam maior acumulo de riquezas por determinados setores e maior autonomia em nome dos lucros.

Talvez este panorama decorra de uma visão econômica, no mínimo, equivocada de que a única formula certa para se gerir um país é atendendo as suas premissas como se fossem verdades absolutas. Como sabemos, a economia não é regida por leis absolutas (graças a Deus!) e a supremacia de um paradigma sobre outro não significa a exclusão de outros modos de se pensar.

Bem, caberia aqui uma análise mais aprofundada deste panorama, mas prefiro deixar para um debate mais apurado com outras vertentes de pensamento antes de tirar minhas conclusões. No entanto, deixo aqui um recado claro. Uma nova situação parece estar colocada e é mostrada pelo quadro eleitoral que se estabeleceu. O Brasil caminha para uma nova fase democrática, com maior autonomia e participação de quem foi colocado à margem dela. E se São Paulo não entender e começar a aceitar e considerar estas forças acabará ficando, irremediavelmente, na contramão do Brasil.

Antonio Arles

São Paulo, 29 de outubro de 2006.