Para não fornecer dados de acesso aos “espiões”

O Google Analytics está se constituindo numa verdadeira praga. Muitos hosts têm a ferramenta por padrão já instalada devido aos acordos do Google com empresas de hospedagem. Em outras páginas o recolhimento de dados continua ativo se não for totalmente desabilitado, incluindo aí a retirada de códigos das páginas inseridos por plugins.

Dentre os dados rastreados pelo Google Analytics estão o seu endereço IP, seu navegador, os plugins habilitados neste navegador, seu sistema operacional e até o tamanho de sua tela, dentre outros. Enfim, são dados demais para ficar nas mãos de uma empresa que trata esses dedos de forma não muito clara, para dizer o mínimo.

Uma boa maneira de não enviar dados para o Google ou para qualquer outro sistema de rastreamento é através do complemento DoNotTrackMe que funciona na maioria dos navegadores e impede o rastreamento de dados quando acessamos páginas que tenham mecanismos de rastreamento instalados.

Ele não serve só para o Google Analytics, mas para outros “espiões” de grandes corporações, como os rastreadores de redes sociais.

Tudo que você precisa fazer é instalar o complemento em seu navegador que ele já começa a fazer o trabalho. Se você desejar habilitar algum rastreamento ele te mostrará, a cada página, quais os serviços que fazem rastreamento habilitados para aquele site e você poderá dar permissão para que determinado serviço te rastreie.

O uso do plugin não garante que seus dados de navegação não sejam registrados. Esses dados ficam registrados também em seus serviços de conexão, por exemplo. O Marco Civil traz uma normatização para a guarda e uso desses dados pelos serviços de conexão, mas este ainda não foi aprovado e, portanto, essas empresas fazem o uso que bem entendem deles.

Dispositivos móveis promovem vigilância e rastreamento de usuários, afirma Stallman

No vídeo a seguir Richard Stallman, fundador do movimento software livre, do projeto GNU, e da FSF, fala sobre a liberdade proporcionada pelo software livre em contraponto ao software proprietário, destaca que é preciso resistir a ferramentas como o Facebook que têm um modelo de negócio nocivo aos usuários, alerta para a questão de todos os sistemas móveis serem dispositivos de vigilância e rastreamento e destaca os ataques a neutralidade da rede feitos por corporações e Estados, colocando estes ataques como desrespeito aos direitos humanos.

Quanto a rede social, uma alternativa pode ser construída com a sua colaboração. Essa rede não tem o seu modelo de negócio baseado na utilização de dados dos usuários e, por ser livre e distribuída, ajuda a proteger a privacidade dos usuários, alem de possibilitar que pessoas e ideias se articulem em rede, como permitem as redes sociais. Saiba mais sobre a rede social livre no seguinte link: http://www.nerdices.com.br/wordpress/2013/09/23/arrecadacao-colaborativa-construir-rede-social-livre/

Use Linux

O GNU/Linux não é o sistema mais usado em desktops. Pouca gente usa nos computadores domésticos.

Mas você usa Linux no seu dia a dia, mesmo que não perceba. Devido a sua estabilidade e segurança, ele é o mais usado em servidores, é o núcleo do maior sistema móvel, o Android, é usado como base em muitos sistemas bancários…

Alem disso, agora, dois gigantes investem em Linux, o que vai disseminar ainda mais o uso do sistema livre: a Valve, gigante dos games, decidiu investir no Linux através de um sistema operacional próprio voltado a este tipo de aplicação, o SteamOS. A promessa é colocar o SteamOS, portanto o Linux, na sala de sua casa. A empresa talvez embarque o sistema em um console para games próprio, especulo eu, já que a estratégia de divulgação da empresa, que revelou a nova distribuição Linux, passa pela divulgação de “segredos” a serem revelados depois de zerados contadores regressivos de tempo. Outra gigante que aposta no Linux é a IBM, que promete investir mais de U$ 1 bilhão no sistema.

Se tanta gente usa o Linux por sua estabilidade e segurança, alem de outras vantagens dos sistemas livres como a livre adaptação às suas necessidades e a economia com licenças, você não acha que esse é um sistema bom para você usar no seu computador doméstico ou no trabalho?

Usar Linux é muito mais do que usar um sistema operacional. Usar Linux é ser livre.

A campanha mentirosa contra o Marco Civil. A quem interessa?

Tem gente fazendo campanha contra o Marco Civil, construindo até ferramentas de rede e propondo ações de pressão sobre os parlamentares para isso, usando os argumentos mais estapafúrdios como o de que regulamentação da guarda de logs seria um forma de o governo rastrear toda a atividade dos cidadãos na Internet.
Pois, saiba você querido amigo indignado com tudo que costuma a cair nessas ficções, que na Internet, pelas próprias características TÉCNICAS da Rede, tudo que você faz pode ser rastreado e que esses dados, os chamados logs, já são gravados nesse momento por provedores de acesso e de conteúdo.

Hoje, no Brasil, não há nenhuma regra para a guarda e para o uso desses dados. As corporações é que decidem o que guardam, como guardam e o que fazem com tais dados. O Marco Civil traz uma normatização para isso, garantindo que tais dados sejam guardados por um determinado tempo, sejam tratados com segurança e privacidade.

Isso é desejável, uma vez que a partir da sua aprovação saberemos como nossos dados serão tratados.

Fica evidente que esse tipo de argumento contra o Marco Civil vem de gente de má fé, patrocinados por interesses sabe-se lá quais. É evidente que tais articulações, com a construção de ferramentas, contratação de domínios e elaboração de estratégias de pressão não são espontâneas, como querem parecer. Quem age assim acaba fazendo o jogo dos lobbies de corporações e políticos contrários ao Marco Civil, mesmo que não tenham ligação direta com estes, o que é difícil de acreditar.

O pior é que gente de boa fé cai nesse tipo de argumento que tem forte apelo emocional, que toca em possíveis teorias da conspiração que povoam o inconsciente coletivo e que têm grande adesão na Internet. É importante esclarecer, informar, discutir, para que possamos ganhar essa batalha.

Aprovar o Marco Civil da Internet

Depois de conquistar o apoio do Governo, que na figura da Presidenta Dilma levou o assunto até para a Assembleia Geral da ONU, chegou o momento de fazer nossa parte para a aprovação do Marco Civil da Internet.

O Marco Civil possibilitará, dentre outras coisas, que o país se posicione definitivamente na vanguarda quando o assunto é liberdade na Internet. Isso trará vantagens para os brasileiros, tanto na questão da proteção a liberdade e a privacidade dos cidadãos conectados, como até atraindo investimentos no setor, uma vez que teremos um marco regulatório claro sobre os deveres e direitos na Internet.

Agora é o momento de ampliar os debates e a mobilização. Sem uma grande pressão popular os lobbies contrários a liberdade na Rede poderão ainda sair vitoriosos.

Você está convidado a participar deste processo, contribuindo de forma presencial ou não da construção das mobilizações pela aprovação do texto original do Marco civil.

Uma das formas de participar é estando na reunião marcada por coletivos que lutam pela liberdade na rede marcada para o próximo dia 30 de Setembro, no auditório do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo. Nesta reunião vão ser articuladas ações nas redes e nas ruas para pressionar pela aprovação do Projeto.

Lute por uma Internet Livre. Só por estar conectado este assunto deveria interessar a você.

Mudando a lógica do sistema: migrando para o Linux.

Muita gente não parte para o uso do Linux por estar acostumado com a lógica do Windows de baixar aplicações e instalar clicando num executável. O uso em si do sistema é bastante simples através das interfaces gráficas disponíveis, tornando o uso do Linux tão intuitivo, ou mais, do que o do Windows.

Sem dúvida a mudança de sistema envolve um novo aprendizado, uma nova forma de se relacionar com o sistema operacional.

Para iniciar a adaptação é bom saber que no Linux, pelo menos em suas distribuições mais populares, os aplicativos podem ser instalados, na maioria dos casos, através de repositórios e gerenciadores de aplicações que já vêm nas próprias distribuições, dispensando a busca por programas externos. Isso já seria um argumento a favor do Linux no tocante a facilidade: você tem no sistema a maioria das aplicações que precisa em um único local, com instalação simples e confiável, já que a origem do pacote são os repositórios da própria distribuição.

Mas, reconhecendo as dificuldades para a migração para a nova lógica, é bom fazer a migração para o sistema aos poucos. Isso também é possibilitado pela maioria das distribuições Linux.

Usar o Linux é fundamental para quem quer mais segurança e estabilidade. O sistema, por ter seu código aberto, não esconde possíveis esquemas que possibilitem acesso aos seus dados. Este é um dos argumentos para quem usa o computador para fazer militância ou trabalha com comunicação, por exemplo. Quem faz esse tipo de trabalho precisa de um mínimo de segurança e privacidade e isso o Linux pode proporcionar aos seus usuários, diferentemente de outros sistemas operacionais.

Já convencidos da importância do Linux para a sua segurança, é chegada a hora de aprender uma nova lógica. Como dito anteriormente, a maioria das distribuições Linux permitem que este aprendizado seja gradual, sem a necessidade do abandono imediato do sistema antigo.

Distribuições como o Ubuntu, Fedora, OpenSUSE e outras permitem que se rode o sistema a partir de mídias como CDs/DVDs ou de pendrives. Ao rodar o sistema operacional dessa forma você não faz qualquer alteração em sua máquina, podendo testar e se acostumar com o sistema sem se preocupar em “estragar” o seu computador.

Depois de se acostumar com as funções básicas do sistema e de verificar a compatibilidade do mesmo com o seu dispositivo é bom que se avance no aprendizado e instale o Linux paralelamente ao Windows em seu HD. A maioria das distribuições também oferecem esta possibilidade, de instalar os sistemas paralelamente, como padrão.

Com o sistema instalado em sua máquina você poderá optar por usar o Linux ou o Windows a cada vez que iniciar seu computador. Com isso também você poderá instalar novas aplicações no Linux, o que não é possível rodando o sistema a partir de mídias como falado anteriormente.

Depois de instalar o sistema paralelamente você pode escolher, como próxima etapa, dispensar completamente o Windows ou continuar usando-o para trabalhos específicos. Eu, particularmente, só uso o Linux em minha máquina e não me sinto limitado em nada.

O importante neste processo é perceber que, com um pouco de boa vontade e despido de preconceitos, é possível mudar de lógica para o uso de um sistema operacional muito mais seguro do que o Windows. A utilização de ferramentas livres e de código aberto é importante para a segurança e liberdade. É fundamental que se tome consciência de que a briga pela liberdade de comunicação também passa pelo código.

Vídeo completo de Dilma em discurso histórico na ONU

Realmente o discurso de Dilma na ONU foi histórico. Histórico porque marca posição diante das grandes potências, notadamento os Estados Unidos, reafirmando a soberania brasileira. Histórico porque traz a liberdade na Internet e no respeito à privacidade seus pontos fundamentais. O Brasil lança ao mundo o desafio e o desejo de uma Rede livre e gestionada de forma plural, multilateral, democratica. Propõe um marco civil global, ao mesmo tempo que reforça a posição do seu Governo internamente favoravelmente a aprovação do Marco Civil da Internet que fará com que, no Brasil, a Internet permaneça livre. Coloca como ponto fundamental para a Rede a questão da neutralidade, fundamental para que a Internet continue sendo livre como a conhecemos, impedindo que corporações e governos possam interferir no que circula por ela. Abaixo, o discurso de Dilma na íntegra. Vale dar uma olhada.

Dilma defende, na ONU, a neutralidade da Rede

Dilma defendeu no seu discurso de abertura da Assembléia Geral da ONU hoje(24) os seguintes princípios para a Internet. Ressalta-se a centralidade da neutralidade da Rede no discurso. Com esse posicionamento no âmbito internacional, o Governo brasileiro manda o recado de que será favorável à neutralidade também internamente, contrariando interesses inclusive de parte do próprio Governo, no caso o interesse das teles pela quebra da neutralidade. Mas a batalha não está ganha. O lobby das teles é muito poderoso e tem forte influência no Legislativo. Sem a luta dos cidadãos conectados não conseguiremos assegurar este direito.

TV Espírito Livre

A Revista Espírito Livre é referência quando se fala em tecnologia, software livre e cultura digital na Rede. Agora eles lançaram seu canal de vídeos, a TV Espírito Livre que disponibiliza vídeos como o da série de quadrinhos animados relacionados a tecnologia HQNuux, sob a autoria de João Felipe (Alemão), e o programa Vida Digital, que traz entrevistas e as últimas novidades do mundo digital. No programa disponível neste post temos entrevistas com Marcelo Branco e Sérgio Amadeu, falando sobre neutralidade da Rede e Marco Civil, e uma série de novidades sobre tecnologia.

Quem vai me vigiar?

O problema é que no bojo do combate ao vigilantismo estrangeiro podem vir as sementes para o fortalecimento do vigilantismo nacional. A estrutura da Rede favorece o controle e faz com que qualquer plano que mexa com ela seja muito sensível, devendo ser observado de vários pontos de vista, preferencialmente de forma colaborativa. Seria ótimo conseguir ter como meta o combate simplesmente ao vigilantismo, seja ele nacional ou estrangeiro. Ou melhor, será ótimo, já que iremos lutar incansavelmente por isso.